segunda-feira, 28 de maio de 2012
ASTÚRIAS
OVIEDO - ANDANÇAS URBANAS E ARQUITECTURA ROMÂNICA /
A atmosfera descontraída de Oviedo pode transformar-se num oásis depois de umas quantas incursões às montanhas. A cidade possui uma área notável de espaços peatonais e jardins. Caminhar no centro é um dos grandes atractivos da que é, sem dúvida alguma, uma das cidades mais agradáveis de Espanha.
Capital comercial e cultural das Astúrias, Oviedo conserva um núcleo urbano de traçado medieval à volta da Praça Alfonso II. A imponente catedral, edificada em estilo gótico flamejante, constitui uma visita indeclinável. No seu interior conserva-se um admirável retábulo do século XVI, além dos túmulos de seis monarcas asturianos. Mas o tesouro mais precioso é a Câmara Santa, uma capela do séc. IX, um relicário da melhor arte sacra.
Vista a partir do teleférico de Fuente Dé, Picos da Europa
No capítulo do património religioso, os arredores de Oviedo ganham uma importância inexcedível. Aí se radica um conjunto de monumentos pré-românicos classificados pela UNESCO. A Igreja de Santa Maria de Naranco, a 3 km da capital, é a grande jóia deste acervo e testemunho de uma fase importante da história das Astúrias. Foi construída no séc. IX para servir inicialmente de palácio do rei Ramiro, tendo-se convertido em templo posteriormente, no séc. XII. San Miguel de Lillo, San Salvador de Valdediós, San Julián de los Prados e Santa Cristina de Lena, igrejas edificadas nos reinados de Ramiro I e Alfonso II, são igualmente símbolos do imenso partrimónio pré-românico das Astúrias.
Gijón, eterna rival de Oviedo, vale também pela dimensão de cidade de província, não obstante o forte desenvolvimento industrial da zona. A beira mar e a grande e formosa praia de San Lorenzo são imagens referenciais da cidade, mas é preciso mergulhar nas ruelas da zona mais antiga, o histórico bairro de Cimadevilla, onde também há muitas sidrerías, para experimentar uma vez mais a atmosfera descontraída que é uma constante no reino asturiano.
Finalmente Avilés, a porta de entrada nas Astúrias para quem chega de avião. É um pequena cidade cujos arredores estão marcados pelo desenvolvimento industrial. Mas a parte medieval do burgo, bem conservada, surpreende o viajante. Na Rua Galiana, assim como noutras ruelas vizinhas, sobrevivem velhas casas com varandas em madeira assentes em colunas de pedra. Também neste povoado, que conserva algumas tradições marinheiras, se poderá insistir com pertinência na nota da arquitectura religiosa e recomendar visitas às igrejas de San Nicolás, Santa María Magdalena de Corros e de San Francisco.
Convém agora, finalmente, para suspender o que poderia ser uma narrativa interminável sobre os feitiços da região, não apartar estas andanças urbanas do contexto mais vasto que modela a alma e a identidade asturianas e com o qual comunicam por uma teia de fios subtis. Damos, então, a palavra a Ortega y Gasset, que via as Astúrias como o espaço natural de “una raza de hombres capaces de intervenir en la vida contemporánea sin perder la solidariedad del espíritu com el campo nativo”.
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